Thursday, August 24, 2006

Desafios


O Sr. Presidente da República, chegou ao estado que chegou, muito graças a quem o rodeia e aqueles que mantém com ele, apenas relações institucionais.
As pessoa, com respponsabilidade, muitas vezes, preferem esquecer que, num país em construção, partido em cacos, após o período negro pós refrendo, a importância de um Preisdente supra partidário, que sirva de almofada, de amparo aos inevitáveis choques com a realidade, após o período de euforia. É junto do PR que as pessoas podem ir descarregar as suas mágoas, apresentar as suas queixas. É um escape as frustrações e desilusões.
Simplesmente, o governo do Dr. Mari e muitos membros da FRETILIN, nunca perdoaram o facto de Xanana se ter colocado acima das querelas partidárias, de querer ser, verdadeiramente, um símbolo da unidade nacional.
Bastou ver a constante afronta ao presidente Xanana nas duas únicas eleições que os Timorenses conheceram.
Xanana aparce, não aparece no comício da FRETILIN, depois de ter passado pelos comícios de outros partidos.
Na eleição presidencial, FRETILIN apoia ou não apoia a candidatura do comandante Xanana.

Eu penso aquilo que se passa hoje, tem muito haver, também, com a velha querela dos fretilinistas que integraram a CNRT e os que sempre desconfiaram da unidade nacional. Segundo me contaram, na altura do Congresso, realizado em Peniche, nos preparativos, foi uma delegação à Austrália verificar o andamento da preparação do Congresso, e já nessa altura, era bem visível o conflito que existia entre aquelas duas facções da FRETILIN. Havia os que aceditavam que não era a hora de divisionismos e havia a outra parte, que apostava na hegemonia clara e inequívoca da FRETILIN.
Hoje a divisão existente, é uma herança dessa velha divisão dentro da FRETILIN.

Aparece depois, personagens menores, a aproveitarem-se da situação, bem como a Austrália. Mas cabe a nós timorenses debatermos os nossos problemas, de olhos nos olhos, sem pré-condições, com confianaç recíproca, para podermos ultrapassar os nossos problemas.

Não podenos estar a viver sempre a sombra de paternalismo estrangeiro. Somos ou não somos um país independente? Somos ou não somos capazes de nos governar?
Quando se decidiu pela declaração da independência (para alguns ,restauração), estávamos ou não capazes de tomar conta dos nossos destinos?

É um grande erro crasso, esperar que Austrália vá cuidar de Timor e dos Timorense. Não devemos esquecer que no relacionamento entre países, existem interesses, não existem amizades. Se temos intereses em comum, óptimo, caso contrário, o mais forte vai querer impôr as suas regras.
Culpar a Austrália ou os jovens desempregados, não ajuda a resolver nada. Porque, em 1.º lugar, colocamo-nos a jeito, para que os australianos se possam aproveitar-se das nossas fraquezas e incapacidades.
Quanto aos jovens desocupados, o que é se poderia esperar? Será que não conhecem um ditado que diz "uma mente desocupada é a oficina do diabo"? Se a este ditado, juntarmos outro, que diz "uma maçã podre numa cesta, infecta as restantes", já se vê, qual será o resultado dessa combinação explosiva. Jovens desocupados, chefes de família sem o que colocar na mesa, potências regionais que se querem aproveitar-se da nossa desorganização e das nossas fraquezas,, só pode descamabr naquilo que se viu e que se vê.

Culpar fulano ou sicrano, também não ajuda. Que interessa saber se a culpa é do Horta, ou do Mari, ou do Xanana ou da hierárquia da Igreja.

Não é a 1.ª vez que isto acontece na nossa história. E não foi só no passado recente. Recomendo às pessoas a leitura atenta do Livro do Sr. Geoffrey C. Gunn, cujo titulo, em português, é "Timor Loro Sae - 500 anos" em Portugal editada pela Editora Livros do Oriente. Já nessa altura, tal como hoje, já havia disputas pelos despojos de Timor, na altura era o sândalo e hoje o petróleo. A situação geo-estratégica de Timor continua a ser tão importante em 75 como agora. Se antes havia o perigo vermelho, hoje há o perigo amarelo.

Interessa mais do que procurar culpados, procurar soluções para problemas concretos.

Já na altura também, o divisionismo timorense era bem patente e bem aproveitado. Os dirigentes à época tinham desculpas, Timor não era uma entidade única, estava dividido em feudos, cada qual com o seu Senhor, o régulo ou o rajá.
Hoje, Timor é uma Nação, é um todo, logo os governantes têm de pensar Timor como um todo, uno e indivisível. Além do mais, muitos dos actuais dirigentes são veteranos vindos de 74/75. Já nessa altura, o resultado do divisionismo foi a tragédia que se viu.

As pessoas querem soluções para os seus problemas, não governantes com constantes desculpas. Qureme ver resultados, querem efeiciência.

Uns nada têm, enquanto outros tudo têm, é claro que só pode resultar nisso.
Uma sociedade em que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, não pode haver justiça. Não havendo justiça, ao menor faísca, a sociedade está pronta para explodir.

Dizem-me que antigamente, no tempo da outra senhora, a corrupção era em benefício do grupo, hoje, cada um come o seu e não olha para o lado. A corrupção é um mal a conbater activamente

Quanto à Igreja e o seu papel, eu defendo que a Igreja Católica, a hierárquia deve-se manter acima dos partidos e das querelas partidárias. A Igreja deve ser contrapoder, isto é, intervém sempre que é necessário, mas sobre problemas concretas, alertando os cristão dos perigos de decisões concretas ou apenas manifestar, através de notas pastorais, sobre problemas concretos.
Mas, também em abono da verdade, tem de se dizer que Dr. Mari foi comprar uma guerra desnecessária e cara com a Igreja Católica. Preocupar-se com aulas de religião e moral, nessa altura do campeonato, era escusado e perigoso. Haverá tempo para se preocupar e definir claramente o papel de cada uma das instituições. Se querem construir em Timor um Estado laico, não devem esquecer que a sociedade timorense é, na sua esmagadora maioria, católica. As decisões políticas, devem levar em consideração, esse aspecto.

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